Nós escrevemos para experimentar a vida duas vezes.

Eu tinha cinco anos quando fui viajar com a turma da escola pela primeira vez. Era uma viagem de trem pela Serra do Mar, e eu não poderia estar mais animada (na verdade não me lembro da sensação em si, mas pelo que se seguiu, imagino que fosse isso). Diversão, descobertas, brincadeiras com os amigos. Mas assim, nada de ex-tra-or-di-ná-rio aconteceu. Então, quando eu cheguei em casa e minha mãe perguntou como foi, dei a resposta: Eu caí do trem no meio da estrada. E daí a tia jogou uma corda, eu me segurei nela e consegui subir de volta (e devo ter sido convincente, porque diz que minha mãe ligou pra diretora só pra confirmar se isso não tinha acontecido mesmo).

Desde então, nunca parei de procurar maneiras de incrementar a realidade, de dar aquela floreadinha no dia-a-dia, de inventar a abdução alienígena que a gente espera presenciar de verdade. Se fosse pra ser verossímil, eu escreveria pra um jornal, né? Além de criar mundos improváveis, quero compartilhar as experiências dessa loucura que é inventar. Aqui é um local pra revelar minhas reclamações, vitórias, indagações e divagações, com a esperança de começar uma conversa valiosa para todas as partes envolvidas.

Aléxia tem vinte e seis (vezes sete) ondinhas puladas em viradas de ano, um mundo impresso em papel, alguns publicados online e outros ainda nadando até a superfície. Gosta de escrever sobre literatura e outras artes no contexto brasileiro, saúde mental, feminismo e questões LGBT+ — e, sempre que possível, inserir metáforas aquáticas nesses contextos.