Pitch literário: O que é e como fazer o seu | #GlossárioLiterário

Você já ouviu falar em pitch? Esse termo em inglês, que poderia ser traduzido por algo como “proposta”, é um material muito importante no meio literário. Entenda melhor o que ele representa e porque você precisa de um.

Como sempre, esse conteúdo também está disponível em forma de vídeo. Mas, se preferir, o texto continua logo abaixo.

O que é pitch literário?

Apesar de não ter uma tradução direta, essa palavra significa mais ou menos uma proposta – uma proposta de venda. E o pitch literário é basicamente a forma mais rápida e mais simples de vender a ideia do seu livro. Então são algumas frases, um pequeno parágrafo, em alguns casos apenas uma frase, que você vai usar pra mostrar porque que o seu livro é legal, porque é diferente.

Ou seja, por que a pessoa que está ouvindo esse pitch deveria investir no seu projeto?

Um conceito legal que ajuda a explicar toda essa ideia é o pitch de elevador. Imagine a seguinte cena: você entra num elevador e logo atrás de você entra uma pessoa que pode mudar a sua carreira. Digamos que você escreve fantasia e aquele é um agente que representa livros desse gênero, você sabe que ele já lançou várias coisas nessa área e poderia investir no seu projeto. Mas você só tem essa viagem de elevador, esse tempo para convencer ele de que seu livro vale a pena, se encaixa com o que ele representa e procura no momento. Então, você precisa dessa forma concisa de mostrar o que o seu projeto veio ali pra fazer e como vai ser diferente dos outros.

Por que fazer um pitch literário?

Primeiramente, porque você nunca sabe quando vai surgir a oportunidade de propor sua ideia para alguém do ramo. Claro que não é super comum, nossa vida não é aquela coisa de filme onde estamos sempre indo em feiras e eventos e conhecendo pessoas importantes do ramo. Mas acontece bastante de surgir essas oportunidades com tempo limitado.

Inclusive eu tenho um exemplo bem legal dessa oportunidade de última hora que aconteceu no ano passado de maneira online. Durante um festival literário (acontecendo online por causa da pandemia) uma agente literária resolveu simplesmente abrir a DM (caixa de mensagens privadas) no Twitter para pitches de livros. Isso era um fim de tarde, umas seis, e ela falou que até o final daquele dia estaria aceitando esses pitches na DM. Em questão de vinte minutos eu mandei o meu, só dei uma revisada e adaptada de última hora.

E deu certo! Ela quis ver mais sobre o meu projeto, depois acabei mandando o livro pra ela ler. Então foi super legal, uma oportunidade que eu talvez não ia conseguir aproveitar se não tivesse o pitch pronto.

Além dessas oportunidades inesperadas, o pitch também vai ser muito útil em inscrições e submissões formais, quando uma editora por exemplo abre inscrições para submissão de novos originais. Isso porque é muito raro eles te pedirem de cara já o livro completo. Geralmente, o projeto completo você vai utilizar para se inscrever em prêmios e festivais, mas quando é para mandar para agência literária ou editora, provavelmente eles vão te pedir antes alguns desses materiais que falem mais sobre o livro ou então apenas as primeiras quinze, vinte páginas. E o pitch é um desses materiais que dá ideia aos editores do tamanho do potencial do projeto para venda e também do seu potencial como autor conforme você tenha vendido ou não a ideia do seu livro. É a partir dele que eles vão se interessar e pedir para ver mais.

Outro ponto interessante é que fazer o pitch pode ajudar você a escrever a história. Então, não, você não precisa preparar o pitch apenas quando a história estiver finalizada. Se você já tem na sua cabeça a ideia toda do livro, como ele vai começar, se desenvolver e terminar, mesmo que não tenha escrito já pode trabalhar no pitch. Porque ele é, como falei anteriormente, a maneira mais resumida de mostrar porque sua história é tão legal e tão diferente. Então você parar para pensar nesse diferencial, nessa ideia central, nessa menina dos olhos do seu projeto, pode ajudar muito você a manter o foco em qual o tema da sua história, às vezes até desenvolver subplots, pensar como se ligam à ideia central. Eu inclusive fiz isso no ano passado, comecei a trabalhar no pitch antes de terminar de escrever, e foi muito legal pra me deixar “presa”, digamos (de uma maneira boa) nessa ideia central.

Passo a passo: como fazer um pitch literário

Primeiro, pergunte a si mesmo: Qual a coisa mais legal que sua história tem? O que te animou pra começar a escrever ela? Quando você teve a ideia e pensou “eu preciso transformar isso numa história”. O que é aquilo que mais salta aos olhos quando você pensa na história, quando vê ela concluída – ou até, se você já tiver tido essa experiência, quando outras pessoas lêem ela.

Partindo dessa ideia central, você vai construir uma breve explicação do seu livro, mantendo esse diferencial como a informação principal dessas frases. Depois que fizer isso, leia e releia quantas vezes for necessário para retirar tudo que não precisa estar ali. Um pitch não tem formalmente um tamanho, mas quando menor, melhor. Mas também vai depender do projeto, alguns têm mais informações pra você conseguir vender a ideia, e alguns menos.

O importante é sempre ficar centralizado naquilo que é o diferencial do seu livro, o que faz ele especial, e tirar tudo que não é necessário – subplots, nomes de personagens, detalhes que são bonitinhos e floreiam sua história mas que não fazem parte da ideia central.

Depois de fazer tudo isso, mostre esse pitch para pessoas que não leram o seu livro, de preferência não sabem nada sobre ele. Você pode chamar amigos, parentes, postar nas redes sociais e perguntar a impressão das pessoas. Você achou legal? Entendeu sobre o que é a história? Teve vontade de ler a história? É claro que um pitch não é feito exatamente para o público final, ele é mais usado dentro do meio, como já falei, para mostrar para agentes e editoras. Mas se você instigar seu público final já é um ótimo sinal de que você está no caminho certo.

Depois, revise várias vezes, e dependendo da demanda específica de cada editora ou agência, você vai adaptando. Às vezes alguma pede algo específico, você também pode adicionar detalhes como quais outras histórias inspiraram essa. Com o que ela é parecida, mais ou menos – mas não dependa muito disso. Não faça seu pitch ser somente sobre referências, por exemplo: “esse meu livro é o novo Hunger Games”. Já existeum Hunger Games, será que precisamos de outro? Então se for mencionar, prefira algo como “se o Hunger Games tivesse encontrado os Vingadores e o Programa da Fátima”.

Mas lembre-se sempre: o pitch não é uma sinopse. Ele é uma resposta à pergunta: Por que eu devo investir no seu projeto?

EXEMPLOS DE PITCH LITERÁRIO

Pitch de Dreamland, novela de ficção-científica (40k palavras):

A novela de ficção científica segue a história de Samantha Castilha, uma neurocientista herdeira de uma empresa que transforma sonhos em vídeos. Enquanto tenta usar a tecnologia para ajudar a namorada a relembrar uma situação traumática, ameaças imprevistas surgem. Com o seu bem mais precioso em risco, ela irá a extremos inimagináveis para proteger o seu legado e as pessoas que ama. E nessa busca, vai descobrir coisas sobre seu passado que vão transformar o seu futuro.

Numa mistura de drama, ação e ficção científica, Dreamland mostra como uma pequena escolha pode impactar o resto da sua vida e a das pessoas à sua volta. A viagem entre o consciente e inconsciente levanta questões sobre o poder da nossa mente frente a traumas e obsessões, revelando que sonhos podem significar muito mais do que imaginamos. Dreamland também faz parte do movimento #OwnVoices – tive a honra de criar uma personagem que, assim como eu, é mulher e LGBT+. Samantha vem para mostrar que cada mulher e cada pessoa queer tem uma história singular a contar. Somos múltiplas, complexas, com qualidades e defeitos, e por isso, merecemos estar na capa dos best-sellers.

Pitch de Antes que eu me perca, roteiro de longa-metragrem (90 minutos):

O Brasil conservador de 1929 faz com que Helena seja internada num hospital psiquiátrico por ser lésbica. Mas por receber mais párias sociais do que clinicamente insanos, o Colônia está superlotado — não há comida, alojamento nem roupas. Apenas negligência e tortura. Helena terá de lutar para sobreviver.

Uma história fictícia inserida num cenário real de forma orgânica e impactante. Helena representa muitas mulheres e homossexuais que realmente foram presos no Hospital Colônia – e sua história deixa essa noção dolorosamente evidente para quem lê. ANTES QUE EU ME PERCA vem não só para informar quem não conhece essa história, mas para não deixar que ninguém se esqueça. A representatividade feminina e lésbica ganha uma nova camada ao ser inserida num contexto sombrio, mas muito necessário. Capítulos como esse não devem ser ocultados da história, e sim usados para que aprendamos e possamos evoluir.


Agora é hora de colocar a mão na massa. Que tal começar a montar o pitch da sua história mesmo que ela ainda não esteja escrita por completo? Deixe o resultado aqui nos comentários, quero ver como está seu pitch, qual é sua ideia e quem sabe consigo dar uma ajudinha aí.

(foto de fauxels no pexels)

Publicado por Aléxia

Escritora de sonhos, sonhadora do impossível.

2 comentários em “Pitch literário: O que é e como fazer o seu | #GlossárioLiterário

  1. Show de bola o tal de pitch! Entendi super bem como se deve fazer. Sou desenhista ilustradora de livros e estou escrevendo meu primeiro livro, Obrigada pelas dicas!

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