eu até tento, mas não consigo desistir.

Todo dia é o mesmo esquema: chegar ao trabalho, organizar a pauta do dia e, assim que tiver um tempo livre, abrir milhões de abas com meus projetos de escrita; sejam eles livros, roteiros, posts ou estudos.

Enquanto checo as notícias do dia, uma autoridade quer proibir livros LGBT+ e outra acabar com o Ancine. No Twitter, toda a rede de escritores brasileiros relata as dificuldades em ter sucesso nessa área. O roteirista famosão dá entrevista dizendo que leva pelo menos dez anos para se estabilizar nessa carreira.

Todos os dias, sou bombardeada com motivos para desistir da escrita. Seria bem mais fácil, né? Eu teria mais tempo livre, escaparia dos milhares de obstáculos que surgem a cada dia, e talvez viveria a vida sem tantas variáveis inesperadas. Acho que até faria um bem à minha saúde, pelo menos a princípio.

Mas o que acontece é que cada uma dessas adversidades me faz querer lutar ainda mais.

É claro que é doloroso Marielle ter morrido — dor que eu sinto mesmo nunca a tendo conhecido. Morreu um pouco da nossa luta ali, morreu uma de nós. Mas nasceu um fogo também. Nasceu uma raiva, uma vontade de vingança, mas não aquela feia e insatisfatória. A melhor vingança possível, que é quando você mostra que eles não podem apagar todas as Marielles. Que, se você mata uma pessoa por ser mulher e negra e LGBT+, você vai fazer com que todas essas minorias se unam, se levantem e lutem.

No fim do dia, nós somos maiores. Em maior número, com maior espírito, com maior coração. E com mais persistência, porque ódio morre logo. O amor, a paixão e o direito de existir são fogo que não apaga. Nós temos muita história pra contar, e temos gente que quer ouvir. Que precisa ouvir. Pode parecer poético demais, mas uma frase pode mudar a vida de alguém. Quando estiver criando, pense no que você não teve quando jovem pra te inspirar. Ou teve, mas quer ver ainda mais, em mais lugares, o tempo todo. Sua história precisa ser contada, e nós estamos todos juntos nessa jornada — alguns mais à frente que os outros, desbravando e abrindo caminhos pra que a gente possa passar. Seja resistência até poder ser Marielle, e aí, quem sabe, o bem vai vencer.

Aproveitando, deixo a indicação para a página Cadê LGBT, um catálogo online de livros escritos ou protagonizados por LGBT+. Tão importante quanto criar trabalhos diversificados é apoiar quem também está nessa com você!

Vamos resistir juntos?

(foto de Tristan Billet no Unsplash)

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