pare de se espelhar em prodígios

Dia desses, li o relato de uma autora que esperava já ser bem-sucedida aos 25 — com best-sellers figurando listas importantes, talvez sendo chamada para palestras e afins — e me identifiquei. Crise de “um quarto de idade” à parte, é comum estabelecermos metas baseadas em idades para nós mesmos. E claro, até faz sentido você se dar um objetivo com um limite de tempo; o problema é envolver nele várias coisas que não estão no seu controle. Afinal, você já deve ter se imaginado vencendo aquele prêmio, comprando aquela casa ou conquistando aquele emprego antes dos 30.

O problema é que o resto do mundo não sabe disso. E o resto do mundo não tem você como prioridade.

Para adicionar ainda mais pressão a planos que não dependem inteiramente de nós, somos constantemente bombardeados por exemplos que acabam só servindo para nos desmotivar. Quem nunca se sentiu mal ao descobrir que aquele atleta ganhando ouro nas olimpíadas ou aquela cantora lotando estádios tem a mesma idade que você?

Nessas horas, fica difícil lembrar que quem alcançou o que você queria na sua idade, ou até mais novo que você, tinha outras coisas sob seu controle; além de, muito provavelmente, mais recursos, mais sorte, diferentes oportunidades e um ambiente diferente à sua volta. O clichê não deixa de ser verdade, e sua mãe estava certa: você não é todo mundo.

Olhando para a minha mesa do café da manhã, pensei num exemplo bem bobo, mas bem real: eu devo ter experimentado Oreos pela primeira vez por volta dos 20 anos de idade. Alguma mulher da minha idade que more nos EUA pode ter comido essa bolacha desde os três e nunca parado. Oreos sempre estiveram presentes no seu dia-a-dia e marcaram a infância dela, e aí eu vou e me sinto triste por não ter tido essa experiência. Mas acontece que eu nunca fui pros EUA, e Oreos só vieram para o Brasil há uns cinco anos. Então como diabos eles iriam ter marcado a minha infância?

Só porque temos objetivos em comum com outras pessoas, não significa que temos o mesmo percurso. Seja para sua carreira, vida amorosa ou qualquer plano em vista: você tem um caminho a ser percorrido. Ele é um caminho diferente de qualquer caminho já traçado por qualquer pesssoa. E a única maneira de descobrir o que está nele é percorrendo-o. Talvez a sua estrada seja mais longa, mais tortuosa e com muitos mais obstáculos do que a estrada que outra pessoa percorreu para alcançar o mesmo sonho. E não, isso não é justo (mas como diria minha madrinha: quem é que te prometeu que o mundo seria justo?). Mas é o caminho que temos.

Imagine que você está sem um mapa e parou na estrada para pedir informações de como chegar ao seu destino, e o simpático morador local lhe indicou o que ele alega ser o único caminho possível. Talvez até exista outro, mas você não conhece ele e não tem acesso a ele. Só te resta respirar fundo, acender a lanterna e ir.

(foto de idy tanndy para pexels)

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